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terça-feira, 5 de setembro de 2023

O fim; trecho A Cruz do Rei, Timothy Keller

"Mas Jesus está dizendo a Pedro e a todos nós:" 

“Meu reino não é deste mundo. 
É completamente diferente. 
É deste modo que vou mudar as coisas: colocarei os outros em primeiro lugar, antes de mim mesmo. 
Amarei meus inimigos. 
Servirei e me sacrificarei pelos outros. 
Não vou pagar o mal com o mal; vou vencer o mal com o bem. 
Abrirei mão de meu poder, de minha vida. 
Fragilidade, pobreza, sofrimento e rejeição passarão a figurar no topo da lista. 
Minha revolução será feita sem a espada; será a primeira revolução verdadeira”.

"Nas duas alusões bíblicas que Jesus faz aqui (ao “Filho do homem”, de Daniel 7.13 e ao fato de que se assentaria “à minha [de Deus] direita,” de Salmos 110.1), o Messias vem como juiz. 
Todos os que estavam presentes naquele local — todos os líderes do Sinédrio — sabiam quem era o Filho do homem. 
Em Daniel 7, o Filho do homem vem do trono de Deus para a terra, nas nuvens do céu, para julgar o mundo. E as nuvens do céu não são as mesmas que as nuvens da terra, mero vapor d’água. As nuvens do céu são a glória shekinah, a própria presença de Deus. 
Portanto, ao responder do modo como fez, Jesus está dizendo:
“Virei para a terra com a própria glória de Deus e julgarei o mundo inteiro”. 
É uma declaração surpreendente, uma alegação de divindade."

"Pela escolha de texto que fez, Jesus está deliberadamente nos forçando a ver o paradoxo. 
Houve uma enorme inversão. 
Ele, juiz sobre o mundo inteiro, está sendo julgado pelo mundo. 
Ele deveria estar na cadeira do juiz e nós no banco dos réus, aprisionados em correntes. 
Tudo está de ponta-cabeça."

"Embora Marcos não faça referência explícita ao cumprimento da profecia, as palavras que escolhe nesta passagem demonstram que ele estava pensando no Salmo 22:" 

"Todos os que me veem zombam de mim, mexem os lábios e balançam a cabeça, […] Como água me derramei, e todos os meus ossos se deslocaram; meu coração é como cera, derreteu-se dentro de mim. […] Pois cães me rodeiam; um bando de malfeitores me cerca; perfuraram-me as mãos e os pés. Posso contar todos os meus ossos. Eles me olham, ficam a me observar. Repartem entre si minhas roupas e tiram sortes sobre a minha túnica"
(Sl 22.7,14,16-18)." 

"Imagine o que os seguidores de Jesus sentiram quando presenciaram essa cena em volta da cruz, enquanto assistiam à crucificação do homem que tinham seguido por anos. 
Ali estava um homem que acalmara tempestades, banira enfermidades, e vencera a morte pelo poder miraculoso de suas palavras. 
Ali estava um homem que, menos de uma semana antes, fora recebido como um rei em Jerusalém. 
Ali estava o Cristo. 
Como isto podia estar acontecendo?"

“Chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona.” 

"A hora sexta era o meio-dia; a hora nona, três da tarde. 
Portanto, do meio-dia às três da tarde, enquanto Jesus morria, a terra estava totalmente em trevas."

"As trevas de que falamos tinham um caráter sobrenatural." 

"Na Bíblia, a presença de trevas durante o dia é um reconhecido sinal de ira e julgamento divinos. 
O exemplo máximo desse fenômeno são as trevas que caíram sobre o Egito, a penúltima praga da época da primeira Páscoa (Êx 10.21-23)."

"E ele diz: 
“Deus meu! Deus meu!” 
A linguagem revela intimidade. 
Biblicamente falando, “Deus meu” é uma forma de se dirigir a Deus usada na aliança. 
Foi a forma que Deus disse que alguém poderia chamá-lo, se essa pessoa tivesse com ele um relacionamento pessoal. 
“Eu vos tomarei por meu povo e serei vosso Deus” 
(Êx 6.7)."

"As trevas espirituais — voltar as costas para Deus, a verdadeira luz, e fazer de qualquer outra coisa algo mais importante do que ele — levam inevitavelmente da desorientação à desintegração. 
E, exceto pela intervenção divina, estamos todos mergulhados em trevas espirituais. 
Vivemos todos girando em torno de algo que não é Deus. 
E somos incapazes de mudar o curso de nossa vida, pois de forma inevitável buscamos acima de tudo glorificar a nós mesmos e não a Deus. 
Portanto, estamos em uma trajetória de vida fadada a desintegrar-se."

"Essa trajetória, porém, não terminará no fim de nossa vida. 
Quando voltar, Deus julgará toda ação, pensamento, desejo — tudo que nosso coração um dia sentiu. 
E, se houver nele alguma coisa imperfeita, não poderemos permanecer na presença de Deus. 
E estar fora da presença de Deus, que é toda luz e verdade, significa a mais completa escuridão e a eterna desintegração do ser."

"Os profetas da Bíblia descrevem esse dia do julgamento final:" 

"E já vem o dia do SENHOR, dia horrível, com furor e ira ardente, para destruir a terra e dela exterminar os seus pecadores. As estrelas do céu e as suas constelações não deixarão brilhar a sua luz. O sol escurecerá ao nascer, e a lua não fará resplandecer a sua luz. …acabarei com a arrogância dos orgulhosos e abaterei a soberba dos cruéis. […] Portanto, farei estremecer o céu, e a terra se moverá do do seu lugar, por causa do furor do SENHOR dos Exércitos e por causa do dia da sua ira ardente."
(Is 13.9-13). 

"O SENHOR jurou pela glória de Jacó: Certamente nunca me esquecerei de nenhuma das suas obras. Não estremecerá a terra por causa disso? Não chorará todo aquele que nela habita? Certamente toda esta terra estremecerá por causa disso? Não chorará todo aquele que nela habita? Certamente toda esta terra se levantará como o Nilo, será agitada e diminuirá como o Nilo do Egito. Naquele dia, diz o SENHOR Deus, farei com que o sol se ponha ao meio-dia e cobrirei a terra com trevas em pleno dia. Transformarei as vossas festas em luto, e todos os vossos cânticos, em lamentos." (Am 8.7-10)."

"No momento em que Cristo morreu, esse espesso véu se rasgou em dois.
O véu rasgou-se de alto a baixo, justamente para deixar claro quem fizera aquilo. 
Foi o modo de Deus dizer: 
“Esse sacrifício acaba com todos os demais, e o acesso a Deus agora está livre”
Agora, depois da morte de Cristo, todo aquele que nele crer pode ver a Deus, relacionar-se com ele. 
A barreira que nos separava de Deus caiu por terra. 
Nossa trajetória foi reorientada para Deus, de forma permanente. 
E isso somente é possível porque Jesus pagou o preço por nosso pecado. 
Todo aquele que crê agora pode entrar. 
Para certificar-se de que entendemos esse ponto, Marcos imediatamente nos mostra a primeira pessoa que teve acesso a Deus: o centurião. 
Sua confissão — “É verdade, este homem era o Filho de Deus!” — é significativa. 
Por quê? Porque a primeira linha do primeiro capítulo de Marcos faz referência a “Jesus Cristo, o Filho de Deus”
Até esse ponto no Evangelho de Marcos nenhum ser humano tinha percebido isso." 

"Se ouvirmos com atenção Jesus clamar — “Deus meu! Deus meu! Por que me desamparaste?” — seremos capazes de contemplar a mesma beleza, a mesma ternura. 
Se virmos Jesus abrindo mão do infinito amor do Pai pelo infinito amor que tem por nós, isso derreterá a dureza do nosso coração. 
Não importa quem nós sejamos, isso abrirá nossos olhos e destruirá a escuridão que nos cerca. 
E por fim seremos capazes de voltar as costas para coisas que dominam nossa vida, que nos viciam e nos afastam de Deus. 
A escuridão de Jesus pode dissipar e destruir a nossa, de modo que, em lugar de dureza, escuridão e morte, tenhamos ternura, luz e vida."

"Se não crermos no evangelho, podemos até mesmo chorar de alegria com o final feliz de algumas histórias inspiradoras, mas esse encantamento logo desaparecerá, pois nossa mente nos dirá que “a vida real não é desse jeito”. 
No entanto, se crermos no evangelho, então nosso coração vai ser pouco a pouco restaurado, mesmo enquanto enfrentamos os momentos mais negros, pois sabemos que, por causa de Jesus, a vida é desse jeito, sim. Então, mesmo nossa dor e a discatástrofe que conhecemos serão engolidas pela graça miraculosa dos propósitos de Deus."

“A morte foi engolida pela vitória. […] Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” 
(1Co 15.54,57). 

"O teólogo Robert W. Jenson argumentou, em um famoso artigo, que nossa cultura está em crise porque o mundo atual “perdeu sua história”."

"Houve um tempo em que acreditávamos que a vida tinha um propósito, que havia algo por que viver, e que havia esperança de uma solução para o sofrimento do mundo." 

"Hoje, muitos dizem que nada disso é verdade. 
Contudo, Marcos nos deixou a história de Jesus e afirmou que essa é de fato a verdadeira história do mundo: 
Jesus, o Rei, criou todas as coisas em amor. 
Em suas mãos estão o poder e a beleza para ver sua visão para o mundo chegar ao seu glorioso final, desfazendo tudo aquilo que fomos capazes de fazer para prejudicá-la. 
Para que isso se realizasse, ele tinha que vir e morrer por essa causa. 
Depois de três dias ele ressuscitaria; e um dia voltará para inaugurar uma nova criação."

"O evangelho é a história definitiva que mostra a vitória nascendo da derrota, a força emergindo da fraqueza, a vida emergindo da morte e a salvação brotando do abandono. 
E por ser uma história verdadeira verdadeira, ela nos dá esperança, pois sabemos que a vida é de fato desse jeito. 
Ela pode ser também a sua história. 
Deus criou você para amá-lo acima de todas as coisas, mas o perdeu. 
Ele voltou para buscá-lo, mas teve que ir para a cruz para fazer isso. 
Ele absorveu a sua escuridão para que um dia você finalmente possa, de forma deslumbrante, tornar-se verdadeiro e tomar assento no divino banquete eterno."

Trechos do livro A Cruz do Rei, Timothy Keller. 

Amém 🙌🏼  eu creio! 
Declare Jesus seu Senhor e Salvador.
Coloque-se nas suas mãos.
Declare. Declare. Declare.

MilaResendes 

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

A Ceia do Senhor; trecho A Cruz do Rei, Timothy Keller

"Enquanto presidia a refeição de Páscoa para os discípulos, Jesus conta para eles o restante da história do mundo em duas orações:" 
“Isto é o meu sangue, o sangue da aliança derramado em favor de muitos. Em verdade vos digo que não beberei mais do fruto da videira, até o dia em que o beber, novo, no reino de Deus”. 

"Ele está dizendo que essa refeição de Páscoa torna a suprema festa possível e, ao fazê-lo, traça um arco inexorável entre os acontecimentos dos próximos três dias e sua consumação futura. 
As palavras de Jesus trazem à mente algumas das impressionantes profecias sobre o reino futuro."

"Salmos 96.12,13 diz:" 
“então todas as árvores do bosque cantarão de júbilo na presença do SENHOR, porque ele vem, vem julgar a terra, e julgará o mundo com justiça, e os povos, com fidelidade”. 

"Isaías 55.12 diz:"
“os montes e as colinas romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas.” 

"Se você colocar algumas sementes em um vaso com terra e colocá-lo no escuro, longe do sol, essas sementes entrarão em estado de dormência. 
Não poderão crescer e alcançar seu pleno potencial. 
Mas se você trouxer o vaso com as sementes para o sol, todo o potencial que estava preso começará a brotar. 
A Bíblia diz que tudo neste mundo — não só os seres humanos, mas até mesmo as plantas, as árvores e as rochas — estão em estado de dormência. 
São meras sombras do que já foram, seriam e serão na presença de seu Criador. 
Quando o Cordeiro de Deus presidir o banquete final e a presença de Deus cobrir a terra novamente, as árvores e os montes serão capazes de dançar e bater palmas, de tão vivas que estarão. 
E se as árvores e os montes serão capazes de dançar e bater palmas no futuro reino, imagine só o que eu e você seremos capazes de fazer." 

"A ceia do Senhor nos dá uma antecipação em dose pequena, mas muito real, desse futuro. Imagine que você estivesse no Egito logo após aquela primeira Páscoa. 
Se você parasse alguns israelitas naqueles dias e lhes perguntasse: 
“Quem são vocês e o que está acontecendo aqui?”
Eles lhe diriam: 
“Éramos escravos sujeitos a uma sentença de morte, mas buscamos proteção no sangue do cordeiro e fomos libertados da escravidão; agora Deus vive em nosso meio e nós o estamos seguindo rumo à Terra Prometida”. 
Isso é exatamente o que os cristãos dizem hoje." 

"Se você crê no sacrifício substitutivo de Cristo, os maiores anseios de seu coração serão satisfeitos no dia em que você se sentar à mesa para o banquete eterno no reino prometido de Deus."

Trecho do cap 14 do livro A Cruz do Rei, Timothy Keller.

MilaResendes 

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

O véu se partiu; trecho A Cruz do Rei, Timothy Keller

"E levaram o jumentinho a Jesus, e lançaram sobre ele as suas vestes, e assentou-se sobre ele." 
Marcos 11:7

"E lá estava Jesus Cristo, o Rei de poder legítimo e miraculoso, entrando na cidade sobre uma montaria apropriada para uma criança ou para um hobbit. 
Foi dessa maneira que Jesus deixou que percebessem que ele era aquele sobre quem fora profetizado em Zacarias, o grande Messias que viria:"

"Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta." 
Zacarias 9:9

"Essa estranha justaposição demonstra que Jesus era Rei, mas não se encaixava nas categorias que o mundo tinha acerca de um rei. 
Ele trazia em si majestade e humildade."

"...visão profética de João, discípulo de Jesus, em Apocalipse 5.5-6: 

“Então um dos anciãos me disse: Não chores, pois o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, venceu para abrir o livro e romper os sete selos. Nisso, vi em pé, entre o trono e os quatro seres viventes, no meio dos anciãos, um Cordeiro que parecia estar morto.” 

"Em Jesus, encontramos a majestade infinita e, ao mesmo tempo, a completa humildade; a justiça perfeita e, ao mesmo tempo, a graça sem limites; a soberania absoluta e a mais completa submissão; a total dependência de si mesmo e, ao mesmo tempo, total confiança e dependência de Deus."

Jesus citou o profeta Isaías:
“Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações?” 
— isto é, para os gentios. 
O texto diz que “toda a multidão se maravilhava com seu ensino”
Por quê? 
Por um motivo: havia uma crença popular de que, quando o Messias surgisse, ele iria remover do templo os estrangeiros. 
Em vez disso, lá estava Jesus purificando o templo para para os gentios — agindo em defesa deles, como seu advogado. 
Na sociedade multicultural em que vivemos, é fácil admirar essa atitude de Jesus. 
Mas ele estava fazendo algo ainda mais subversivo. 
Ele estava desafiando todo o sistema de sacrifícios e dizendo que os gentios — pagãos e impuros — poderiam agora ir diretamente a Deus em oração. 
Isso era algo inacreditável, pois as pessoas conheciam a história do tabernáculo e do templo.

A história do templo começa bem lá trás, no jardim do Éden. 
Quando eram expulsos do santuário de Deus, Adão e Eva olharam em volta e viram 
“uma espada flamejante que se revolvia por todos os lados” 
(Gn 3.24). 

"Ninguém jamais poderia passar além dessa espada flamejante que barrava o caminho de volta à presença do Senhor."

"A espada flamejante é a espada da justiça eterna, e não falhará em exigir o pagamento. Ninguém pode voltar a estar na presença de Deus, a menos que se submeta à espada, a menos que pague pelo mal feito." 

"Por isso, quando Jesus citou Isaías de forma a indicar que os gentios poderiam ter acesso à presença de Deus, as pessoas ficaram admiradas. 
Contudo, os profetas continuavam a prometer que um dia a glória de Deus cobriria toda a terra como as águas do oceano — em outras palavras, o mundo inteiro se tornaria um Santo dos Santos. 
A terra inteira estaria repleta da glória e da presença de Deus novamente. 
E pessoas de todas as nações, raças, contextos e classes sociais seriam bem-vindas a essa presença."

"Belas profecias. 
Mas ainda assim fica a dúvida: 
Como conseguiriam passar pela espada? 
A resposta estava no livro de Isaías, embora a maioria das pessoas não a visse. 
Isaías 53.8 diz o seguinte sobre o Messias:
“Pois ele foi tirado foi tirado da terra dos viventes.” 

"E em Apocalipse, quando João olha para o trono, o local de maior poder do universo, por que ele vê um cordeiro imolado? 
Porque a morte de Jesus Cristo — o Cordeiro de Deus — é o maior triunfo real da história cósmica. 
Quando Jesus se submeteu à espada, ela feriu seu corpo, mas também feriu a si mesma. 
A isso um autor notoriamente chamou de “a morte da Morte na morte de Cristo”
Jesus submeteu-se à espada por você e por mim. 
É por isso que o véu que cobria o Santo dos Santos se partiu de cima a baixo no momento em que Jesus morreu (Mc 15.38). 
Ele não fora apenas danificado, mas tornou-se obsoleto, de modo que todos nós agora temos acesso à presença de Deus. 
A espada flamejante exigiu sua vítima; o véu partiu-se; e o caminho de volta ao jardim foi reaberto para sempre."

"E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes.
E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou.
E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus;
Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.
Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis.
E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas.
Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas."
Marcos 11:20-26

"Com isso ele está dizendo que queria mais do que mera agitação; quer o tipo de transformação de caráter que vem apenas da percepção de que você foi resgatado, redimido. 
Se você é uma pessoa impaciente, ansiosa, está claro para as pessoas à sua volta que você está superando isso? Você tem forças para esperar pelo tempo de Jesus? 
Se você é uma pessoa raivosa ou não inclinada a perdoar os outros, você tem claramente começado a vencer esse seu lado? Está aprendendo a absorver o custo do perdão? 
Se é uma pessoa medrosa, se odeia a si mesmo, ou se gosta de se engrandecer, está bem claro para as pessoas que lhe conhecem bem que o seu caráter está passando por uma regeneração radical? Ou você está apenas muito ocupado com uma porção de atividades religiosas?"

"A vida e o caráter de Jesus — o Rei que entra a passos lentos em Jerusalém, montado em um jumentinho e, então, irrompe porta adentro de forma audaciosa, chamando o templo de “minha casa” — estão sendo reproduzidos em você. 
Está se tornando uma pessoa mais completa, a pessoa que você foi criado para ser. 
A pessoa que você foi resgatado para ser."

"Por favor, não tente colocar Jesus na periferia da sua vida. 
Esse é um lugar em que ele não pode ficar. 
Entregue-se a ele — faça dele o centro de toda a sua vida — e deixe que o poder de Jesus reproduza em você o mesmo caráter que ele tem."

Trecho do cap 13 do livro A Cruz do Rei, Timothy Keller. 

MilaResendes 

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Ansiamos por Deus; trecho A Cruz do Rei, Timothy Keller

"E dessa nuvem da glória do shekinah shekinah saiu uma voz que dizia: 
“Este é o meu Filho amado; a ele ouvi”

"Eles estavam na presença do próprio Deus. 
Contudo, Pedro, Tiago e João não morreram. 
Como pode ser? 

“De repente, olhando em redor, não viram mais ninguém, a não ser Jesus.” 

Essa é a maneira de Marcos dizer: 
Moisés se foi, Elias se foi, e Jesus é a ponte que une a distância entre Deus e o ser humano. 
Jesus é capaz de dar à humanidade algo que nem Moisés nem Elias puderam, que ninguém jamais pode dar. 
Por meio de Jesus, podemos cruzar a distância que nos separa da própria essência da realidade, podemos entrar no compasso da dança. 
Jesus é o templo e o tabernáculo que põe fim a todos os templos e tabernáculos, pois ele é o sacrifício que põe fim a todos os sacrifícios, o supremo sacerdote que mostra o caminho a todos os sacerdotes."

"Adorar não é apenas crer. 
Antes de terem subido ao alto do monte, Pedro, Tiago e João já criam em Deus. 
E Pedro já tinha dito: 
“Tu és o Cristo”. 
Mas agora eles sentiam isso. 
Eles foram envoltos pela presença de Deus. 
Eles tinham tido uma prévia daquilo por que C. S. Lewis diz que todos nós ansiamos: 
a própria face e o abraço de Deus."

Trecho do livro A Cruz do Rei, Timothy Keller. 

MilaResendes

terça-feira, 8 de agosto de 2023

O amor não é tudo de que você precisa; Cap 2, deuses Falsos, Timothy Keller

"O anseio humano pelo amor verdadeiro sempre foi celebrado em canções e narrativas, mas em nossa cultura contemporânea, ele tem sido ampliado em um grau assombroso. 

Fazer do amor um ídolo pode signicar permitir que o ser amado explore e abuse de você ou talvez cause uma terrível cegueira para as patologias no relacionamento. 

Praticar a idolatria é ser um escravo. 
Há um relato na Bíblia que ilustra como a busca do amor pode tornar-se uma forma de escravidão. 
Trata-se da história de Jacó e Leia (Lia) em Gênesis 29. 
Embora muito antiga, nunca foi tão relevante. 
Sempre tem sido possível converter o amor romântico e o casamento em um deus falso, mas a cultura em que vivemos torna ainda mais fácil o erro de transformar o amor em Deus ou de sermos arrastados por esse amor e depositar toda nossa esperança de felicidade nele.

Abraão gerou Isaque. 
Anos mais tarde, a esposa de Isaque, Rebeca, engravidou de gêmeos, e Deus falou por meio de uma profecia: 

“… O mais velho servirá ao mais moço” 
(Gn 25.23). 

Apesar da profecia, o coração de Isaque se inclinava para o filho mais velho Esaú, preferindo-o ao mais jovem, Jacó. De modo irônico, esse foi o mesmo erro trágico que Deus havia poupado Abraão de cometer quando o chamara para oferecer seu único filho em sacrifício. 
Por causa do favoritismo de Isaque, Esaú cresceu orgulhoso, mimado, voluntarioso e impulsivo, ao passo que Jacó cresceu cínico e amargurado.

Labão lhe ofereceu o emprego de administrador. “Trabalharás de graça para mim, por ser meu parente? Diga-me qual será o teu salário”, perguntou o tio. 
A resposta de Jacó foi uma palavra: Raquel.

Jacó ofereceu o salário de sete anos por ela, o que, em moeda da época, era preço altíssimo por uma noiva. 

“… e estes lhe pareceram poucos dias, pelo muito que a amava” 
(v. 20).

Jacó tinha uma vida vazia. 
Jamais tivera o amor do pai, havia perdido o amor da mãe querida e, com certeza, não tinha nenhuma ideia do amor e cuidado divinos.
Todos os anseios do seu coração por sentido e afirmação se fixaram em Raquel.

Cultivamos a fantasia de que se encontrarmos nosso verdadeiro parceiro de alma, tudo o que há de errado conosco será curado. 
Mas quando nossas expectativas e esperanças atingem essa dimensão, como diz Becker, “o objeto do amor é Deus”. Amante nenhum, ser humano nenhum, está qualicado para o papel. Ninguém pode viver a altura disso. 
O resultado inevitável é a amarga desilusão.

Os cristãos explicam que nossa capacidade para o amor romântico origina-se do fato de sermos à imagem de Deus (Gn 1.27-29; Ef 5.25-31). 

De qualquer forma, o amor romântico é um objeto de enorme poder para o coração e a imaginação humanos, por isso consegue dominar excessivamente nossa vida. 
Até quem evita por completo o amor romântico, em razão de amargura ou medo, na verdade está sendo controlado por seu poder. 

O vazio interior de Jacó o tornara vulnerável à idolatria do amor romântico. 

Sete anos se passaram e Jacó procurou Labão para cobrar: 
“Dá-me minha mulher”.
Mas “Quando amanheceu, lá estava Leia” (Gn 29.25).

Mais tarde, a idolatria de Jacó por Raquel produziu décadas de sofrimento em sua família. Ele adorava e privilegiava os filhos de Raquel em detrimento dos de Leia, destruindo e afligindo o coração de todos, ao mesmo tempo que envenenava o universo familiar. 

...a Bíblia repetidas vezes nos mostra pessoas fracas que não merecem a graça de Deus, não a buscam nem lhe dão valor mesmo depois de recebê-la. 

Aprendemos que a desilusão cósmica predomina ao longo de toda a vida. 

Ninguém, nem mesmo a melhor pessoa do mundo, tem como conceder à sua alma tudo de que ela necessita. 
Você pensará que foi para a cama com Raquel e se levantará e será sempre Leia.
Essa decepção, essa desilusão cósmica se faz presente a vida toda, mas nós a sentimos especialmente nas coisas em que mais apoiamos nossas esperanças.

Por fim, como diz C. S. Lewis ao término do excelente capítulo sobre a esperança, você pode reorientar completamente o foco de sua vida para Deus. 
Lewis conclui: 
“Se descubro em mim um desejo que nenhuma experiência neste mundo é capaz de satisfazer, a explicação mais provável é que fui feito para outro mundo [algo sobrenatural e eterno]”. 

Já o Deus da Bíblia é aquele que desce a este mundo para efetuar uma salvação e conceder-nos uma graça que jamais obteríamos por nós mesmos. 

Ele ama o indesejado, o fraco e o mal-amado. 
Ele não é apenas um rei, e nós, seus súditos; não é apenas um pastor, e nós, as ovelhas. 

É um marido, e nós, sua esposa. 
Sente-se encantado conosco — incluindo aqueles dentre nós que mais ninguém nota. 

Eis o poder para vencermos nossas idolatrias. 
Muita gente no mundo não encontrou um parceiro romântico e precisa ouvir o Senhor dizer: 
“Sou o noivo verdadeiro. Só existe um par de braços que lhe dará todo o desejo do seu coração e esperará por você no m dos tempos. Basta você se voltar para mim. E saber que o amo agora”
Todavia, não é somente quem não tem um cônjuge que necessita enxergar em Deus o nosso cônjuge perfeito, mas também quem o tem. Essas pessoas precisam disso a m de salvar seu casamento do peso esmagador das próprias expectativas divinas.

Quando Deus veio à terra em Jesus Cristo, ele era mesmo filho de Leia. 
Tornou-se o homem que ninguém queria. 
Nasceu em uma manjedoura. 
Não tinha beleza para que o desejássemos (Is 53.2). 
Veio para os seus e os seus não o receberam (Jo 1.11). 
E, no m, todos o abandonaram. 
Jesus clamou até para seu Pai: “Por que me desamparaste?”

Por que ele se tornou filho de Leia? 
Por que se tornou o homem que ninguém desejava? 
Por você e por mim. 
Ele tomou sobre si nossos pecados e morreu em nosso lugar. 
Se nos comovemos profundamente com a visão do amor dele por nós, nosso coração se afasta de outros pretensos salvadores. 
Paramos de tentar nos redimir por meio de atividades e relacionamentos, porque já fomos redimidos. 
Paramos de tentar transformar pessoas em salvadoras, pois temos um Salvador."

Trecho do Cap. 2 do livro deuses Falsos, Timothy Keller. 

MilaResendes